Rádio 98FM Canoinhas

Um mês depois, morte de soldado do Exército em Três Barras segue mistério

Investigação segue rito normal, diz Quinta Região Militar
Neste domingo, 23, completa-se um mês da morte de Bryan Damazo de Santana Pinto, de 18 anos, e ainda não se sabe o que provocou a explosão que matou o três-barrense. Ele morreu na manhã de 23 de outubro, por volta das 11 horas, após uma explosão supostamente de um artefato no Centro de Instrução Marechal Hermes (CIMH), em Três Barras, onde ele cumpria o serviço militar. Ele sofreu um ferimento de cerca de 15 centímetros de circunferência na região do tórax, do lado direito.

Como se trata de uma morte nas dependências de uma área sob o comando da 5° Região Militar, a investigação ocorre exclusivamente pelo Exército.
Segundo o encarregado do Inquérito PM, ele ainda está “conduzindo as diligências necessárias para elucidação dos fatos. Tudo dentro do prazo previsto e sem novidades para o momento”. O prazo, contudo, se esgota em 10 dias.

Procurada, a família de Bryan não quis conceder entrevista.

HIPÓTESES

O JMais ouviu três fontes sob condição de anonimato. Uma ligada ao Exército e outras duas são namoradas de internos que testemunharam a morte.

Segundo uma das meninas, “eles (soldados) estavam brincando com uma bomba que estava guardada há anos. Depois que todos brincaram, ele (Bryan) foi colocar no lugar de novo quando explodiu. Não foi granada”. Ela disse, ainda, que “o pior é que todos os outros meninos mexeram nessa bomba e quando ele foi pegar, explodiu”.

A outra fonte diz que o artefato explosivo estava guardado em um barracão há muito tempo. Bryan teria ido buscar outra coisa e teve sua atenção despertada pelo objeto, que explodiu assim que ele pegou no artefato aparentemente por curiosidade. Ainda de acordo com esta fonte, não havia nenhum supervisor no momento e o menino recebeu os primeiros socorros dos colegas. O artefato teria explodido parcialmente. “Caso tivesse acontecido dele explodir por completo, todos do local teriam sido atingidos. Ele tinha sangramento muito forte, não tinha como ser estancado, contou. A mesma fonte diz que os soldados trabalham muitas vezes sem supervisão, não têm qualquer treinamento para lidar com explosivos e que operam, costumeiramente, equipamentos sucatados.

Na foto, Murrav é recepcionado no CIMH/ Divulgação
Ironicamente, nesta semana o general de brigada Richard Wallace Scott Murrav e sua comitiva composta por oficiais e sargentos fez uma Inspecão do Comando no CIMH, “que tem como finalidade verificar os assuntos relativos às áreas administrativa, logística e patrimonial desta Organização Militar. As rotinas previstas para a manutenção dos diversos materiais de emprego militar, da conservação do patrimônio e a rotina executada pelas seções do CIMH foram alvos da inspeção que, após avaliação por parte do Escalão Superior, identifica as boas práticas executadas, bem como as oportunidades de melhorias que tornarão nossos processos mais eficazes”, diz postagem nas redes sociais do CIMH.

TIJOLO QUENTE

Outra pessoa, ligada ao Exército, disse que o que as meninas chamam de “bomba” pode ser um artefato perdido acidentalmente no local. Como o CIMH é um campo de instrução e sazonalmente ocorrem adestramentos com presença de soldados de todo o País, munição verdadeira é usada para os treinamentos. Não deveria, mas não é completamente impossível que munições não detonadas fiquem sob o solo, por isso, o território onde se faz as manobras é chamado popularmente de “tijolo quente”. A hipótese é de que alguma munição não detonada durante uma manobra teria sido encontrada pelos soldados que, sem ter certeza do que se tratava e por curiosidade, passaram a manobrar o explosivo, resultando no episódio que vitimou Bryan.

Essa hipótese já foi descartada, tanto que há duas semanas, o CIMH foi sede de mais um treinamento de nível nacional.

O CIMH tem uma extensão de 9,7 mil hectares, que ligam Três Barras a Papanduva. A vasta extensão é justamente para que se tenha segurança ao praticar manobras, de modo que se tenha a certeza que nenhuma munição atingirá uma área habitada. Mas isso não impede que haja munição não detonada na área.

OUTRO ACIDENTE

Luiz André Gonçalves Corrêa de Souza ocupava uma das viaturas blindadas envolvidas no acidente / Arquivo
Em 2021, durante uma dessas operações de manobras, outro soldado do Exército Brasileiro morreu após um acidente com viaturas blindadas no CIMH. De acordo com o 15º Grupo de Artilharia de Campanha da Lapa (PR), Luiz André Gonçalves Corrêa de Souza, de 19 anos, participava de um treinamento quando se feriu. Um dos veículos teria batido na traseira do outro. Os detalhes da morte não foram divulgados.

Luiz André Gonçalves Corrêa de Souza ocupava uma das viaturas blindadas envolvidas no acidente. O jovem chegou a ser atendido onde estava treinando, e encaminhado ao hospital, mas não resistiu e morreu. Em nota, o Comando do 15º Grupo de Artilharia de Campanha informou que um procedimento administrativo foi instaurado, mas seu resultado não foi divulgado à imprensa.

Fonte: JMais