Rádio 98FM Canoinhas

Organização que gerencia Pronto Atendimento de Mafra é alvo de operação do Gaeco

Em nota, a Prefeitura de Mafra informou que mandado de busca e apreensão na UPA foi para investigar contratos em São Paulo e não envolve o município

Mafra foi um dos alvos da “Operação Duas Caras”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, com apoio do Ministério Público de Santa Catarina.

Durante a ação, um mandado de busca e apreensão foi cumprido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Aldo Seidel, administrada por uma organização social investigada por envolvimento em um esquema de corrupção, fraudes em licitação e lavagem de dinheiro.

A operação teve abrangência nacional e, além de Mafra, também foram cumpridos mandados em outras três cidades de Santa Catarina: Palhoça, Itapoá e São José. Ao todo, em Santa Catarina, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e um de prisão.

Em outros estados, as ações aconteceram em São Paulo, nas cidades de Catanduva, Arujá, Carapicuíba, Piracicaba, Viradouro e Bauru. No Rio de Janeiro, os alvos foram as cidades do Rio de Janeiro e Maric. No Espírito Santo, Alfredo Chaves foi alvo das buscas.



ENTENDA A INVESTIGAÇÃO

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a organização mantinha contratos de gestão em diversos municípios do País e é suspeita de operar um esquema que movimentou ilegalmente mais de R$ 1,6 bilhão em recursos públicos.

Durante as ações, os agentes apreenderam sete aparelhos de celular, dois computadores, mais de R$ 91 mil em espécie, além de uma grande quantia em moedas estrangeiras, cujo valor ainda está sendo contabilizado. Todo material recolhido será periciado. 

A Polícia Científica de Santa Catarina prestou apoio técnico à operação, garantindo a preservação da cadeia de custódia das provas e evidências de interesse da investigação. O material apreendido pode auxiliar na comprovação de fraudes contábeis e do uso de empresas de fachada para desvio de verbas públicas. 

A investigação aponta que os gestores da organização social mantinham uma contabilidade paralela, utilizavam notas fiscais frias e superfaturadas e contratavam empresas do próprio grupo para simular despesas e desviar os recursos.

Em nota, o MPSP explicou que a escolha do nome “Duas Caras” remete ao comportamento dos envolvidos, que se apresentavam como benfeitores do sistema público de saúde enquanto agiam para obter ganhos pessoais.

Por ordem judicial, a investigação segue sob sigilo. Segundo o Ministério Público, mais detalhes poderão ser divulgados após a publicidade dos autos. 





O que diz a Prefeitura de Mafra? 

Em nota, a Prefeitura de Mafra disse que não há qualquer relação no município com os fatos investigados e que a presença do Gaeco na UPA Padre Aldo Seidel teve como objetivo apenas a verificação de documentos ligados à organização social Mahatma Gandhi, atual gestora da unidade. 

Veja a nota na íntegra:

“Nota oficial

A Prefeitura de Mafra informa que na manhã desta quinta-feira, 7, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Aldo Seidel recebeu visita do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para a verificação de documentos e contratos firmados com a organização social Mahatma Gandhi, atual gestora da unidade.

Esclarecemos que a instituição integra a Operação Descalabro, deflagrada pela Polícia Federal em Bebedouro, São Paulo, com foco exclusivo em investigações e desvio de recursos públicos da saúde naquele município paulista. A investigação envolve contratos da organização Mahatma Gandhi firmados especificamente com a cidade de Bebedouro. 

Não há qualquer relação da Prefeitura de Mafra, de seus servidores ou gestores com os fatos investigados. A atuação da Polícia Federal na cidade foi apenas para a coleta de informações complementares sobre a atuação da organização contratada. 

A Prefeitura de Mafra reafirma seu total compromisso com a transparência, com a boa gestão dos Recursos públicos e com a colaboração integral com os órgãos de investigação. Ressaltamos que todos os serviços da UPA seguem em funcionamento normal e que a gestão municipal segue atenta à lisura de todos os contratos e parcerias. 

A administração reforça ainda que qualquer envolvimento e irregularidades por parte de prestadores de serviço, independentemente de onde ocorram, deve ser rigorosamente apurado e punido nos termos da lei”.

Fonte: JMais