Rádio 98FM Canoinhas

Preço do quilo do café tradicional cai 15% e consumo volta a subir no Brasil

O café está voltando a pesar menos no bolso do consumidor e, consequentemente, a frequentar mais a mesa dos brasileiros. Nos primeiros quatro meses deste ano, o consumo da bebida registrou uma alta de 2,44% na comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando a marca de 4,9 milhões de sacas de 60 quilos.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e refletem uma reação direta do mercado à desaceleração dos preços nas gôndolas dos supermercados, revertendo o cenário de retrações que marcou o ciclo anterior.

O termômetro do consumo e dos preços

De acordo com a Abic, a virada de chave no comportamento do consumidor ocorreu principalmente a partir de março, mês que computou um crescimento expressivo de 10,25% em relação a março de 2025. Em abril, o ritmo seguiu positivo, com alta de 3,66%.

O principal combustível para essa retomada foi o alívio nos preços. O café tradicional, tipo mais consumido no país, registrou uma queda de 15,51% em abril na comparação anual, passando a custar uma média de R$ 55,34 o quilo. A maior oferta de matéria-prima no início do ano ajudou a derrubar os valores que haviam atingido o pico entre o fim de 2024 e o começo de 2025.

Das oito categorias de café monitoradas pela associação, a ampla maioria registrou deflação. Apenas três mantiveram tendência de alta nos preços ao consumidor:

  • Cafés descafeinados: +21%
  • Cafés especiais: +16,9%
  • Café solúvel: +0,55%

“O ano de 2025 foi bastante resiliente com a cafeicultura em geral e culminou com queda no consumo. Começamos o ano de 2026 ainda não recuperando totalmente, mas em março começamos a mostrar um crescimento maior”, explicou o diretor executivo da Abic, Celírio Inácio.

Previsão de safra recorde histórica promete novas quedas

As perspectivas para o restante do ano são ainda mais otimistas para os amantes da bebida. Na manhã desta quinta-feira (21), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou que a produção nacional de café deve crescer 18% nesta safra, atingindo o volume inédito de 66,7 milhões de sacas.

Se o número se consolidar, o Brasil registrará a maior safra de sua série histórica, superando em 5,74% o recorde anterior estabelecido no ano de 2020.

Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, a confirmação desse superávit no campo deve estabilizar o mercado e eliminar a volatilidade. A tendência natural é que as indústrias repassem a redução de custos da matéria-prima para o varejo, gerando um novo ciclo de descontos nos supermercados e consolidando a recuperação do consumo ao longo de todo o segundo semestre.

Fonte: Canoinhas Online