Secretaria de Saúde aponta que, somente até o mês de julho deste ano, já foram realizadas 217 cirurgias em Santa Catarina, refletindo a alta demanda pelo procedimento na rede pública
O Governo de Santa Catarna anunciou uma medida para fortalecer a assistência às mulheres que enfrentam ou superaram o câncer de mama, com foco na redução da fila de espera.
A gestão estadual ampliou o acesso e os valores repassados para a cirurgia plástica mamária reconstrutiva pós-mastectomia com implante de prótese pelo SUS (Sistema Único de Saúde), como parte das ações marcadas para o Outubro Rosa.
Santa Catarina amplia em mais de dez vezes o repasse para reconstrução mamária
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da evolução dos atendimentos no Estado. De acordo com dados do Ministério da Saúde o número de cirurgias de reconstrução mamária em Santa Catarina saltou de 179 em 2022 para 396 em 2025, um crescimento expressivo de 121%.
Desde o mês de julho deste ano, o estado já contabilizou 217 procedimentos realizados, evidenciando justamente a alta demanda do procedimento entre mulheres catarinenses.
Novo aporte financeiro para zerar as filas
Para dar fôlego aos hospitais e atender esse volume, entra em cena o novo incentivo: a criação de um aporte estadual para a reconstrução mamária pós-mastectomia com implante de prótese.
O Governo de Santa Catarina, por meio da tabela catarinense e do prêmio estadual, passa a complementar com R$ 5.078,08 o valor de R$ 500 previsto na tabela do SUS, um incentivo financeiro mais de dez vezes superior ao valor federal. O objetivo é dar condições financeiras para que a rede de alta complexidade aumente a oferta de cirurgias.
Atendimento em alta complexidade e regulação por ordem cronológica
A iniciativa contempla diretamente 17 serviços de alta complexidade em Oncologia (Cacons e Unacons) espalhados por Santa Catarina, que já estão mobilizados para absorver a demanda.
Regulação: Os chamados ocorrem de forma transparente através do Sisreg (Sistema de Regulação do Estado), priorizando a ordem cronológica de inserção e dando preferência aos casos mais antigos.
Fila de espera: Nesta etapa inicial, 150 mulheres já foram identificadas para a realização da cirurgia eletiva de reconstrução.
A reconstrução como etapa essencial do tratamento
Especialistas e gestores reforçam que a reconstrução mamária não deve ser tratada como um procedimento estético isolado, mas sim como parte indissociável da assistência integral e humanizada à paciente oncológica.
Sempre que há indicação e condições técnicas favoráveis, a plástica pode ser feita no mesmo ato cirúrgico da retirada da mama (mastectomia), evitando novos traumas e internações futuras.
Para muitas pacientes, como Graziela Ventura, atendida no Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), em Florianopolis, o suporte vai muito além da técnica cirúrgica.
“A palavra é recomeço. É me olhar no espelho e me reconhecer”, resume ela sobre a importância de retomar a identidade e a autoestima após vencer as etapas mais duras do diagnóstico e do tratamento do câncer.




