Estado responde por 11,2% dos CNPJs analisados por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios no país; setor industrial representa 70% das demandas catarinenses
Santa Catarina se posicionou como o terceiro estado brasileiro com maior volume de empresas analisadas por FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) nos primeiros nove meses de 2026. De acordo com a primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, o território catarinense reúne 396 CNPJs, o equivalente a 11,2% do total de empresas mapeadas no país, ficando atrás apenas de Minas Gerais (39,4%) e São Paulo (25,2%).
O crédito estruturado é uma modalidade de financiamento personalizada que combina múltiplos instrumentos financeiros para atender a necessidades específicas de captação de recursos de empresas ou projetos.
O levantamento, realizado pela empresa de data & analytics Assertiva, mapeou 4.045 consultas efetuadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro deste ano, abrangendo 3.543 companhias distintas. O estudo busca compreender a distribuição geográfica e o perfil corporativo dos negócios que chegam à fase de análise dos fundos.
Setor industrial impulsiona a demanda catarinense
O principal motor do desempenho catarinense é o setor industrial. Das 396 companhias identificadas no estado, 277 pertencem ao segmento, o que representa cerca de 70% de todos os CNPJs observados em Santa Catarina. Esse volume coloca a indústria catarinense na terceira colocação nacional do recorte setorial, atrás somente de São Paulo (431 empresas) e Minas Gerais (389).
Segundo Hederson Albertini, CEO da Assertiva, o peso da indústria no estado reflete a maturidade de suas cadeias produtivas. “Quando cruzamos os dados geográficos com a atividade económica, no caso de Santa Catarina, existe um componente industrial muito evidente, o que ajuda a mostrar em quais cadeias a análise dos FIDCs surge com maior intensidade”, explica o executivo.
Para Rafael Nakamoto, CEO da fintech Vitório, o ciclo financeiro da indústria ajuda a esclarecer a busca por soluções de crédito estruturado. “Santa Catarina tem uma característica particularmente importante para o crédito estruturado: uma indústria diversificada e formada por cadeias em que existe uma necessidade permanente de financiar produção, estoque e distribuição. São empresas que desembolsam antes de receber e, quanto maior esse intervalo, maior a necessidade de encontrar estruturas de capital que acompanhem o ciclo do negócio”, afirma.
Ao concederem prazos de 60 a 90 dias aos clientes, essas empresas passam também a financiar a cadeia comercial. O uso dos FIDCs permite rentabilizar e antecipar esses recebíveis, evitando a sobrecarga do caixa operacional.
Regiões Sul e Sudeste lideram concentração
A pesquisa aponta que a Região Sul responde por uma em cada cinco companhias analisadas pelos fundos no país (20,3%), somando 718 empresas entre Santa Catarina (396), Rio Grande do Sul (172) e Paraná (150). Quando observados os três primeiros colocados do ranking nacional (Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina), a concentração atinge 75,8% da amostra total.
Em termos setoriais abrangentes, o grupo de Indústria, Construção e Logística liderou as consultas no país com 51,1% dos CNPJs, seguido por Comércio, Serviços Financeiros e Imobiliários, com 36%.
A Assertiva ressalta que o estudo possui caráter observacional e não probabilístico, servindo como um raio-X das consultas efetuadas pelos fundos analisados, sem pressupor a efetiva aprovação ou concessão do crédito.
Fonte: ND+




